São Bento do Sul, 21 de outubro de 2019

10/10/2019 07:12

Vasos com água parada no cemitério podem gerar multa

São Bento do Sul

Nesta segunda-feira a equipe de Controle da Dengue do Centro de Vigilância à Saúde iniciou a "Operação finados", onde os quatro profissionais, Cleide Adriana Dias, Mario Alves de Moraes, Flavia Regina Dums e Gabriel Neumann irão verificar os vasos de flores em todos os túmulos dos 13 cemitérios existentes no município, 11 cemitérios municipais, 1 cemitério tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado e 1 particular.

Serão mais de 15.000 sepulturas inspecionadas, onde em cada uma os vasos são verificados e, caso não estejam de acordo com o que estabelece a lei, são virados e recebem um adesivo com o aviso: "Vasos inadequados conforme a lei nº 3.340/2014 - Programa de Controle da Dengue".

A referida lei estabelece normas para a colocação de vasos de flores, floreiras e similares em cemitérios no município de São Bento do Sul.

A operação é realizada anualmente e tem o objetivo de verificar se a população vem mantendo os vasos de flores de acordo com o que estabelece a lei para evitar a proliferação do mosquito da dengue.

Conforme a agente Cleide Adriana Dias, "há oito anos eu realizo este trabalho e todos os anos percebemos que a grande maioria da população não colabora", disse.

Pente fino

A Operação finados ocorre sempre no mês de outubro que antecede a data de finados, 2 de novembro, e é realizada justamente porque as demarcações deixadas pela equipe serão vistas pelos responsáveis pelas sepulturas nesse período.

A operação iniciou no cemitério da Estrada Dona Francisca, e a grande maioria dos vasos estava com água parada, necessitando serem virados e ainda adesivados com o aviso de controle da dengue.

Conforme os integrantes da equipe comentaram durante os trabalhos, no caso dos vasos de mármore ou granito, a orientação é para que tenham furos na parte inferior ou mesmo nas laterais, para que a água possa escoar.  Também orienta-se preencher os vasos com isopor ou espuma floral, porém, este preenchimento deve ser total, até a borda superior.

Nos vasos preenchidos com areia, os furos devem ser maiores, pois a própria areia acaba entupindo os furos menores, impedindo o escoamento da água. Aliás, a utilização da areia para preencher os vasos não é indicada justamente por este motivo.

Cleide comentou que muitos dos túmulos só recebem visita uma vez ao ano, por isso os cuidados devem ser tomados, para que os vasos não sejam um procriador do mosquito.

No que se refere aos vasos plásticos, estes devem possuir furos maiores e a indicação é de que sejam preenchidos com pedras ou concreto com pequenos furos para colocação das flores.

Embalagens plásticas

Outro grande problema encontrado pelos agentes são os vasos com embalagens plásticas do tipo embalagem de presente.

Gabriel demonstrou diversos casos em que vasos plásticos até estavam preenchidos até a borda, medida correta, porém, com a embalagem plástica do tipo presente, a água não tem como escoar e se acumula na embalagem, proporcionando um local apropriado para o acúmulo e desenvolvimento de larvas do mosquito.

Vasos podem ser eliminados

A Lei 3.340 estabelece em seu artigo 3º que os vasos e recipientes que estiverem em desacordo com a lei podem ser retirados e inutilizados pelos agentes públicos.

Sobre esta questão, a equipe comenta que ainda não estão inutilizando os vasos porque a repercussão é muito negativa.

"Todos os anos é aquela polêmica porque viramos os vasos nos cemitérios. Mas os responsáveis pelas sepulturas que não estão se adequando à lei e ainda estão proporcionando risco à saúde da população não querem colaborar", disse Flavia.

Multa

Desde o ano de 2014 quando entrou em vigência a Lei 3340 de 31/03/2014 existe a possibilidade de aplicação de multa aos responsáveis pelos túmulos que não estiverem de acordo com o que estabelece a lei.

De acordo com o chefe da Vigilância Sanitária Rafael Schroeder, se a equipe de controle da dengue verificar a existência de larvas em alguma sepultura, e se for comprovado tratar-se de larva do mosquito da dengue, o responsável responderá um processo administrativo sanitário e poderá ser multado no valor de até R$ 4.734,57.

Larvas encontradas

O agente Gabriel Neumann encontrou larvas em um dos vasos com água parada no cemitério.

Uma amostra foi coletada e será encaminhada ao laboratório da Vigilância Sanitária, e em se constatando ser amostra do mosquito da dengue, um processo administrativo sanitário será instaurado contra o responsável pela sepultura.

Denúncias são importantes

A equipe de controle da dengue atua no município com diversos trabalhos.

Um dos agentes percorre quinzenalmente os cemitérios realizando verificações por amostragem dos vasos e recipientes em túmulos.

Outros agentes fiscalizam estabelecimentos comerciais, industriais, residências e ainda as 435 armadilhas de inspeção instaladas por todo município.

Conforme comentou Cleide, "é muito importante a participação da população com denúncias, pois caso identifiquem algum local suspeito, com possível foco do mosquito, a equipe deve ser acionada", explicou.

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